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Ao passar pela costa do Quersoneso, a nau dos argonautas fora atirada pelas ondas. Ali teve ela de permanecer por alguns dias, a fim de reparar os danos sofridos. Esta ilha tinha ao centro uma imensa montanha, habitada pelos Dólios, temíveis gigantes de seis braços. Assim que os forasteiros desembarcaram na ilha, os gigantes puseram-se alertas, saindo um a um da boca da caverna. O líder do grupo ia à frente, pisando firme. Com uma das suas seis mãos penteava os imundos cabelos; com a segunda cobria um bocejo; com a terceira coçava as costas; com a quarta limpava o nariz; com a quinta fazia sombra para os olhos; e com a sexta, finalmente, espantava as moscas.
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Jasão, o célebre herói grego, havia sido criado longe de casa pelo centauro Quíron.
Enquanto completava sua educação, seu tio Pélias assumira o seu lugar no trono da Tessália.
Tendo retornado, já adulto, para assumir a sua condição de rei, foi induzido pelo perverso tio a empreender uma temerária expedição em busca do Velocino de Ouro — uma célebre relíquia que estava guardada no distante reino da Cólquida.
Tão logo tomou essa decisão, Jasão cercou-se de alguns dos mais valorosos heróis de seu tempo, tais como Hércules, Teseu, os irmãos Castor e Pólux, Meleagro e muitos outros. O construtor do navio foi Argos, razão pela qual o navio foi batizado de Argo, e os seus tripulantes passaram a ser conhecidos por argonautas. O Argo era uma grande embarcação dotada de velas, tendo ao centro um mastro feito com um carvalho profético da floresta sagrada de Dodona, que predizia os bons ou os maus ventos aos navegantes. Embora tivesse um sistema de mastreação, o navio também previa lugares para remadores, para as ocasiões em que faltassem os ventos.
A construção do Argo, acompanhada de perto por Minerva, concluiu-se, afinal, e os seus tripulantes embarcaram, prontos para seguir viagem. Mas, no momento da partida, o navio recusava-se a sair do lugar. Foi necessário que Orfeu, um dos tripulantes, tocasse sua lira.
Durante alguns minutos ouviram-se somente os sons maravilhosos da música misturados ao marulhar das ondas, até que finalmente o Argo, por si só, fez-se ao mar, sob os gritos de contentamento de toda a tripulação e da população que se despedia dos heróis.
Durante vários dias navegaram eles pelos mares da Grécia, até chegar à ilha de Lemnos, onde pararam para descansar e reabastecer-se de víveres.
— Veja! — disse Tífis, o experiente piloto do Argo, a Jasão, que chefiava a expedição. — Há algumas mulheres ali para nos recepcionar.
De fato, a ilha estava repleta de mulheres, que se aproximaram alegremente do Argo, cobrindo os visitantes com flores e coroas de louros. Seus trajes eram curtos, e elas eram também bastante atraentes. Porém, estranhamente, não se via nenhum homem entre elas.
— Onde estão os homens deste lugar? — inquiriu Jasão àquela que parecia a líder do grupo.
— Estão todos descansando — respondeu a estranha mulher.
Os tripulantes do Argo já haviam quase todos desembarcado. Cada uma das mulheres se apoderara de um deles, de tal modo que só havia casais passeando por toda a ilha, o que desagradou um pouco a Jasão:
— Viemos aqui para um piquenique? — disse ele a Tífis, que, entretanto, também já estava de olho numa das belas mulheres.
Jasão, desvencilhando-se delas, foi conhecer melhor a ilha. Andou sozinho por tudo, até que descobriu o cemitério. Ali estavam os túmulos de centenas de homens, todos mortos mais ou menos à mesma época.
— Gosta de túmulos, senhor navegante? — indagou uma voz feminina às suas costas.
Jasão voltou-se para trás, surpreso com a presença inesperada.
— Parece que é este o lugar onde estão descansando todos os homens da ilha — disse Jasão, num tom irônico.
A mulher — a mesma que o recebera no desembarque — sorriu discretamente. Diferente de antes, tinha agora apenas um fino véu a cobrir a parte inferior da sua cintura.
— Aqui eles não nos causam mais problemas — disse, erguendo os braços e fingindo que se espreguiçava.
— Diga, afinal, o que está acontecendo por aqui — ordenou Jasão, agarrando-a pelos ombros.
— Ui… Não se zangue, estrangeiro… — disse a mulher, passando de leve o belo nariz aquilino sobre o peito robusto de Jasão.
— Deixe de asneiras e diga o que foi feito dos homens — ordenou novamente Jasão, sacudindo-a com força.
Apesar do vigor do chefe dos argonautas, a mulher conseguiu se desvencilhar.
— Quer saber? Pois bem, nós os matamos!
— Mataram… todos?
— Naturalmente! Eles nos traíam o tempo todo, e este foi o castigo — disse a mulher apontando para os túmulos, alegre e desafiadora.
Em breves palavras ela descreveu, então, as humilhações que tiveram de suportar de seus maridos. Não havia um único dia em que não tivessem notícia da traição de algum deles.
Finalmente, revoltadas, decidiram pôr um fim em tudo, matando-os. E assim fizeram. No dia seguinte, não havia mais um único homem vivo em toda a ilha.
— Vênus, no entanto, irou-se conosco — continuou a mulher — e nos inspirou um ardente desejo por novas núpcias. Desde então, vivemos na ânsia de contrair novo casamento, o que, no entanto, jamais se realiza.
— Por que não?
— Bem, não possuímos um navio enorme como o seu, nem saberíamos fabricar outro parecido, para partir em busca de novos maridos — disse ela, aproximando-se com seu passo felino e sensual.
Jasão, por alguns instantes, aceitou as carícias; porém, lembrando da sua missão, repeliu outra vez a estranha para longe. Com uma gargalhada divertida, ela rodopiou, fazendo uma volta inteira sobre si mesma, enquanto erguia com as mãos os belos cabelos negros, recolhendo-os acima da cabeça. Seu rosto oval ficava, assim, inteiramente livre, mostrando o traçado perfeito de suas feições, sem nada em torno para ofuscar o brilho intenso do seu olhar. Era uma visão positivamente tentadora para um homem da juventude e da virilidade de Jasão, que há várias semanas não via senão água e homens ao seu redor.
Mas ele soube resistir aos seus impulsos, pedindo mentalmente o auxílio de sua adorada Juno. Dando as costas à nativa da ilha, retornava já para o Argo quando sentiu que a sedenta mulher agarrava-se às suas costas, como uma onça, e cravava os dentes em seu ombro. Com um safanão, Jasão lançou-a ao solo. A mulher rolou pelo chão, com várias folhas secas coladas à pele.
Jasão retornou ao navio. Ao chegar lá, porém, não encontrou ninguém. Furioso com o desleixo, saiu em busca do piloto e dos demais tripulantes.
Aos poucos foi encontrando um a um — ou antes, dois a dois, pois cada qual estava entregue aos braços de uma mulher, fazendo o que ele, Jasão, deixara de fazer. Por alguns momentos teve o desejo de retornar e completar o que deixara pela metade, mas outra vez o senso do dever o obrigou a refrear seus instintos. De maneira rude pôs fim à folgança de seus tripulantes, separando um a um os amantes, o que pôs à prova pela primeira vez a força do seu
braço. De fato, separar os casais revelou-se a tarefa mais difícil de quantas tivera posteriormente de enfrentar; mas, pouco a pouco, conseguiu reunir novamente todos os seus homens e levá-los de volta ao Argo.
Sob o pretexto de uma grave comunicação que tinha para lhes fazer, Jasão reuniu todos no convés do Argo. As mulheres, em terra, acenavam freneticamente, chamando de volta os homens, de forma que os argonautas passaram por uma prova semelhante à de Ulisses, diante do canto tentador das sereias.
Enquanto os tripulantes aguardavam o começo da preleção, Jasão se afastou e cortou discretamente as amarras que prendiam o navio à terra, fazendo com que ele navegasse velozmente para longe da perigosa ilha. Um desconhecido marinheiro, porém, pulou pela amurada afora e foi reunir-se às mulheres, em terra. Depois de um tempo, elas acabaram por descobrir que ele as traía, desrespeitando o rodízio estabelecido por aquelas ardentes e insaciáveis
mulheres, e terminaram por matá-lo e acrescentar uma lápide a mais no cemitério.
Enquanto isso, Jasão conduzia o Argo em direção ao Velocino de Ouro.
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Jasão é, junto com Hércules, um dos maiores heróis gregos que a história lendária registra. Sua vida é repleta de fatos notáveis, e suas aventuras pedem um romance inteiro para ser contadas. Seus feitos, contudo, podem ser perfeitamente fragmentados sob a forma de pequenos episódios, de tal sorte que o leitor pode lê-los alternadamente, sem perder nunca o fio da meada.
O primeiro episódio de relevância — ainda que um tanto singelo — ocorrido na vida do grande Jasão deu-se ainda na sua juventude. Seu pai, o rei Esão, havia passado o governo de seu país para o seu próprio irmão, Pélias. Estabelecera, no entanto, a condição de que a coroa deveria ser passada a seu filho Jasão — e sobrinho de Pélias — tão logo este alcançasse a maturidade.
Enquanto isso, Jasão teve a sua educação posta aos cuidados do centauro Quíron, num lugar distante dali. Junto a esse personagem, Jasão desenvolveu todas as suas aptidões, das quais faria uso mais tarde nas suas inumeráveis aventuras. Os anos se passaram até que, completada a sua educação, Jasão retornou para a sua pátria, pronto a herdar o trono que por direito lhe cabia.
Como gostava muito de caminhar, Jasão preferiu fazer seu longo percurso a pé, conhecendo muitas terras e climas.
Um dia, chegando próximo de um largo rio, preparava-se para atravessá-lo, quando avistou às margens uma velha, curvada pelo peso dos anos. Jasão -que já despira seu manto, para fazer mais livremente a travessia — ficou sem graça ao perceber que a velha erguera a cabeça branca, detendo-se a estudá-lo com seus olhos cansados.
Jasão, tendo aprendido que o respeito aos velhos era sua primeira obrigação, adiantou-se em direção a ela, procurando ocultar as suas partes.
— Perdoe, minha senhora, por me apresentar desta maneira — disse o jovem Jasão, que não era então mais que um garoto.
— Não se acanhe — disse a velha. — Meus olhos já estão cansados para quase tudo, menos para a beleza. Para ela, ainda tenho luz no olhar.
De fato, a velha não tirava seus olhinhos franzidos do corpo do jovem. Sua malícia residual parecia guardar ainda o frescor de sua remota juventude. Jasão julgou, por um momento, enxergar por detrás dos traços cansados da velha um resto de sua antiga e extinta beleza.
— Posso ajudá-la de alguma maneira? — perguntou, procurando desviar da cabeça aquelas estranhas cogitações.
— Gostaria que me ajudasse a passar para o outro lado — respondeu a velha, passando a língua seca sobre os lábios murchos. — Veja, sou fraca, e os anos não permitem mais que me aventure a mergulhar sozinha nestas águas.
Jasão imediatamente suspendeu-a em seus braços, escorando-a nos ombros, pronto a carregá-la até a outra margem. A velha, sem se fazer de rogada, abraçou-se ao torso dele, colando seu rosto familiarmente ao ombro do jovem.
Jasão atravessava as águas do rio, calculando seus passos. Não podia deixar de notar que a velha ainda possuía mãos macias, que deslizavam sobre suas costas de modo inquieto. “E pena ser uma velha”, refletiu, censurando-se pelos maus pensamentos.
Mas aquilo parecia não ser apenas uma impressão. Jasão agora sentia que as mãos dela passavam sobre sua nuca, subindo até o topo da sua cabeleira negra e esvoaçante. Sem poder se conter mais, virou seu rosto para a face da velha, algo escandalizado.
— O que foi, meu rapaz? — disse a anciã, com um sorriso que parecia lhe trazer de novo toda a juventude ao rosto.
— Nada, nada, minha senhora… — replicou Jasão, vexado de sua má impressão. No entanto, ao desviar os olhos não pôde deixar de passá-los de relance pelo busto da idosa mulher, que se exibia livremente pelo decote da esfarrapada túnica. Pela abertura, entreviu perfeitamente um dos seios, absurdamente firme e rijo, como o de uma mulher na mais verdejante juventude.
“Estou delirando!”, pensou Jasão, atarantado. Por um momento teve o instinto de largar a velha no rio e deixá-la ali, sozinha, a debater-se nas águas. “E se for uma feiticeira?”
Sua reflexão foi bruscamente interrompida quando sentiu que a mão da velha — tinha a absoluta certeza — pressionava as suas costas de um modo absolutamente inconveniente e constrangedor.
— O que é isto, minha senhora? — exclamou, surpreso.
Uma gargalhada sonora, jovial e cristalina, ressoou em seus ouvidos. Assustado, Jasão voltou-se outra vez para a velha. Mas não tinha mais diante de si a face enrugada de uma anciã, mas uma face divinamente jovem, que tinha, no esforço do riso, os olhos franzidos sem o menor vestígio de rugas. Seus dentes, claros e cristalinos, brilhavam sob a luz do sol, enquanto os lábios
mostravam-se carnudos e rubros como os de uma jovem no auge da beleza.
— Não se assuste! — disse a encantadora mulher, ainda em seus braços. -Foi apenas uma brincadeira.
Jasão, ainda encabulado — e um pouco amuado por ter sido feito de bobo -, tinha agora em suas mãos duas coxas firmes e palpitantes.
— Eu sou Juno, a rainha dos céus — disse a mulher-, e estava apenas testando o seu caráter.
A ciumenta e virtuosa esposa de Júpiter, como se vê, cansara de sofrer as traições de seu volúvel marido e fora se divertir um pouquinho também. O que a deusa perdeu em virtude ganhou em charme e encanto. Nunca seu riso foi tão espontâneo, e seus gestos, tão livres e doces. Em vez de queixas e recriminações, da sua boca saíram, agora, somente uma risada franca
e algumas palavras inocentemente maliciosas.
— Porque me ajudou a cruzar este rio, decidi tomá-lo sob minha proteção -disse Juno ao surpreso Jasão, fazendo-se de séria. — Já sei que você é um homem de caráter e fidalguia.
A seguir, retomando seu bom humor, pôs-se de pé, deixando nas mãos do herói os farrapos de sua velha túnica. Lado a lado com o herói, permitiu-se a liberdade de continuar abraçada, mas seguindo com as próprias pernas.
Juno parecia ter melhorado ainda mais o seu humor; enquanto torcia os fios de seus cabelos molhados, cantava uma canção descontraída, muito diferente dos aborrecidos hinos que era obrigada a escutar todos os dias em seu templo. Jasão, que completara a sua educação nas águas daquele maravilhoso rio, também estava alegre. Encontrava-se muito distraído, tanto que acabou esquecendo uma de suas sandálias na margem do rio, seguindo o restante do percurso até sua casa com um dos pés descalços.
Um oráculo feito há muito tempo ao seu tio, Pélias, dissera que ele deveria temer um homem que surgiria desprovido de calçado. Quando Jasão chegou no reino que lhe estava prometido, o rei, sabendo da sua chegada, correu, inquieto, a recebê-lo.
— Há quanto tempo, meu querido sobrinho! — disse Pélias, com um sorriso amarelo, que desapareceu inteiramente de seu rosto ao olhar para um dos pés descalços do jovem.
— O que houve com a outra sandália? — perguntou.
— Ah, perdi no caminho… — respondeu o herói, distraidamente.
Isto deu ao pérfido rei a certeza de que Jasão era o homem da profecia. Cumpria, pois, desvencilhar-se dele imediatamente. Além do mais, Pélias jamais pensara em devolver o governo do reino às mãos do filho do antigo rei. Depois de receber o jovem em seu palácio, teve com ele uma longa conversa, querendo saber tudo sobre a sua educação. As palavras do jovem Jasão, no
entanto — que ainda era um pouco ingênuo -, lhe entravam por uma orelha e saíam pela outra.
Pélias tinha sua mente ocupada, pensando em como afastar de si o importuno sobrinho. Como fazer para matar o rapaz, sem que o acusassem do crime?
Durante toda a noite pensou sobre isto. No outro dia, logo cedo, chamou o jovem à sua presença.
— Jasão, o trono é seu! — disse o rei interino. — Pode ocupá-lo já, se quiser — disse Pélias, estendendo-lhe o cetro e apontando a magnífica cadeira dourada.
O jovem, passando as mãos nos cabelos, deu um ligeiro suspiro de apreensão. Já se dispunha, no entanto, a assumir as suas funções, quando o rei o atalhou:
— Antes disso, porém, tenho uma sugestão melhor a lhe fazer. Caso você consinta em abraçá-la, fará de você um rei maior do que qualquer outro — disse Pélias, estendendo os braços, como se abarcasse com eles o mundo.
O jovem escutava as palavras do tio com atenção.
— Que tal, antes de assumir o seu posto, partir em busca do Velocino de Ouro?
Jasão conhecia a fama de tal aventura — tida por impossível, já que o tal Velocino, segundo diziam, estava protegido por um monstruoso dragão.
— Mas isso é uma tarefa que está, com toda a certeza, além de minhas forças —
respondeu, ao mesmo tempo fascinado com o desafio e inseguro de sua pouca experiência para tentar tamanha proeza.
— Nada estará além de você, desde que ponha nisto sua fé e energia -disse-lhe o tio, tentando enganá-lo com sua filosofia barata. — Além do mais, os deuses estarão do seu lado!
Jasão lembrou-se imediatamente da promessa de proteção que Juno lhe fizera enquanto ele a carregava nos braços. Empolgado, resolveu pôr à prova a sua juventude e energia. Num ímpeto característico de sua idade, exclamou, diante do trono:
— Está bem, aceito seu conselho, meu tio. Partirei com alguns homens pelo mar até alcançar o reino onde se esconde o Velocino de Ouro e o trarei, para honra e glória de meu futuro reino.
Pélias, já dando o sobrinho por morto, abraçou-o efusivamente:
— Que os deuses o protejam e você seja feliz em sua gloriosa aventura!
E foi assim que começou a famosa jornada de Jasão e os Argonautas em busca do Velocino de Ouro.
Néfele, esposa do rei Atamas, foi repudiada pelo marido em favor de outra mulher. Ela, que até há pouco era senhora das vontades do rei, agora tinha de vê-lo sob a influência nefasta de Ino, filha de Cadmo, a nova e perversa rainha.
Antes da separação, o casal de reis havia tido um casal de filhos, Frixo e Hele. Ora, a nova esposa de Atamas não queria saber de herdeiros que não tivessem o seu sangue — razão suficiente para decidir pela morte de ambos.
“Quero esses dois jovens mortos o mais breve possível” disse Ino a si mesma, ainda no leito de núpcias, enquanto o rei percorria o seu corpo com lábios ardentes.
Na manhã do dia seguinte, a nova rainha chamou à sua presença os dois jovens e lhes deu para comer todas as sementes que havia no reino:
— Vamos, comam tudo — disse Ino, que havia mergulhado as sementes no mel para agradar ao paladar dos garotos.
Ao cabo de algumas horas, com os dedos e as faces lambuzadas, ambos haviam dado conta da tarefa.
— Tem mais? — perguntaram os jovens.
— Oh, não, queridos, infelizmente se acabou… — respondeu satisfeita a rainha, pois não havia mais semente alguma no reino.
Em conseqüência, o reino todo foi assolado por uma terrível fome. Apavorado, o rei decidiu enviar um mensageiro ao famoso oráculo de Delfos, para saber o que deveria fazer. Mas Ino, quando o mensageiro passou diante do seu quarto, rumo a Delfos, puxou-o para dentro, com uma força surpreendente pari seus delicados braços, e com uma voz sensual prometeu-lhe tudo, inclusive um saco de moedas de ouro, se ele fizesse o que ela mandava. Esses poderosos
argumentos espantaram de vez o medo do servidor.
— Diga e eu o farei — capitulou o mensageiro.
— Quero que vá ao oráculo, como determina meu marido. Mas preste atenção: quando voltar, diga ao rei que a única solução para a fome é o sacrifício ritual de seus dois filhos.
— Entendi perfeitamente, adorável Ino! — disse o mensageiro, colando s lábios ao
ombro alvo e perfeito da rainha, que o repeliu suavemente.
— Não seja atrevido! — disse a rainha, desvencilhando-se dos seus braços. Quer a recompensa antes de cumprida a tarefa?
O mensageiro engoliu em seco ao ver as costas nuas da rainha afastando-se resolutas. No mesmo dia partiu, decidido. Um mês depois, o lacaio apresentou-se diante do rei e repetiu as palavras que Ino lhe mandara dizer. O rei, profundamente abatido com a obrigação que os deuses lhe impunham, acabou cedendo e determinou que assim se fizesse. A rainha, ao saber da decisão, exultou. Depois, ordenai secretamente a um assassino que pusesse um fim à vida do mensageiro.
Temendo, porém, que o assassino revelasse algo, ordenou a um segundo assassino que eliminasse o primeiro. Mas esse segundo matador tinha um ar pouco confiável, razão pela qual a própria Ino acabou por matá-lo com seu próprio punhal.
Néfele, a ex-rainha, já havia tomado conhecimento do perigo que filhos corriam. Por isso, recorreu ao auxílio do deus Apolo, pedindo que a ajudasse a salvar Frixo e Hele.
— Esteja tranqüila, Néfele — disse-lhe o deus. — Enviarei aos dois um de fuga.
Poucas horas antes de se cumprir o sacrifício, um grande carneiro dourado entrou voando pela janela do quarto onde os dois jovens aguardavam, aflitos o fim dos seus dias.
— Veja, Frixo! — disse Hele, espantada ao ver o animal.
— É um carneiro! E veja que pêlo magnífico! — disse o irmão, boquiaberto.
De fato, a pelagem do animal era toda tecida com fios de ouro. Parecia que o próprio sol havia adentrado o quarto de ambos.
— Nada temam, meus jovens — disse o carneiro do Velocino de Ouro. -Vim para leválos para longe da ira de Ino — completou, oferecendo as suas douradas costas para que Frixo e Hele nelas montassem.
Antes de partir, o carneiro mandou que os dois jovens se segurassem bem e não olhassem para baixo. Num segundo, o animal lançou-se ao espaço, com sua preciosa carga. Cavalgando o ar, foi subindo rapidamente em direção ao azul do céu. Os cabelos de Hele, da mesma cor do pêlo do animal, esbatiam-se ao vento, enquanto Frixo fazia tudo para manter-se agarrado no carneiro, cego para tudo o mais.
— Veja, Frixo! — dizia a jovem, que não tinha olhos bastantes para admirar as
estonteantes paisagens, que passavam num turbilhão aos seus pés.
De repente, o carneiro meteu-se no meio de um aglomerado de nuvens tempestuosas.
Raios prateados esgrimiam ao redor dos três, como se eles estivessem em meio a um terrível duelo travado no espaço.
Atingido na cauda por uma faísca, o carneiro empinou suas patas dianteiras para cima, e isto foi o fim da infeliz Hele. Perdendo de vez o equilíbrio, as suas mãos agarraram o vento, enquanto as suas pernas desprendiam-se da sua condução. Frixo, no entanto, nada pôde fazer, pois continuava agarrado com todas as forças ao pêlo do animal, esquecido até da própria irmã.
— Frixo, estou caindo! — gritou ainda Hele, num último apelo.
Mas a sua voz ecoou no vazio, e o seu corpo caiu no estreito marítimo que separa a Europa da Ásia, afundando para sempre em suas águas profundas. O carneiro ainda passou por várias vezes rente à superfície agitada das águas, mas não pôde resgatá-la dali. O estreito passou a ser chamado de Helesponto, em homenagem à desditosa Hele.
Frixo, desesperado, acrescentou muitas lágrimas às salgadas e agitadas águas do mar.
Depois que viu que seu pranto era inútil, retomou, sozinho, a viagem, montado sempre no carneiro de ouro, rumo à distante Cólquida.
— Estamos chegando — disse o carneiro, ao avistar as terras do novo país. Frixo, no entanto, não pôde alegrar-se como esperava, pois não tinha mais com quem compartilhar a sua felicidade. Depois de ser bem-recebido pelo rei do país, o jovem foi ao templo de Apolo, agradecer a ajuda que obtivera. Ali receber do deus a ordem para sacrificar, ele próprio, o carneiro de ouro.
Desse modo singular, teve o carneiro recompensados os seus serviços. Ou talvez recebesse a punição por haver deixado perecer na fuga a infeliz Hele. O fato é que após o sacrifício o pêlo dourado do carneiro foi arrancado cuidadosamente e colocado numa gruta, sob os cuidados de um terrível dragão. Ali esteve durante longos anos guardado, até que um dia o
aventureiro Jasão se decidiu a ir buscá-lo, na companhia dos seus amigos argonautas, enfrentando a ira da terrível sentinela.
Mas esta é uma outra história.
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— Não agüento mais essa tagarela da Eco — segredou um dia a deusa dos bosques a uma das suas ninfas.
De fato, não era só Diana que não suportava mais o falatório da ninfa nenhuma das suas amigas podia mais vê-la pela frente sem fugir de sua língua incansável. Apesar de ser tão bela quanto a mais bela das ninfas, Eco tinha a mania incontrolável de falar pelos cotovelos.
— Por que não se cala de vez em quando? — diziam-lhe as amigas. — Homem algum suportará uma mulher que fale sem parar, mesmo sendo tão bela como você.
Mas Eco não se corrigia e prosseguia falando, até a exaustão. Um dia, porém, meteu-se com Juno, a esposa de Júpiter, e isto foi a sua ruína.
O deus dos deuses havia dado mais uma de suas escapadas, e Juno andava por perto, farejando o seu rastro. A própria Eco já gozara dos favores de Júpiter e prometera ocultar, a pedido do grande deus, os amores que ele agora mantinha com outra ninfa. A deusa dos bosques não queria saber de fofocas e por isso fazia vistas grossas ao namoro. Afinal, meter-se com o
deus supremo podia trazer-lhe problemas funestos.
Certo dia, porém, Juno, tomada pela cólera, chegou quase a tempo de flagrar o esposo nos braços da tal ninfa. Eco, após alertar o casal, dissera a Júpiter:
— Deixem comigo, eu a distrairei enquanto vocês escapam.
E assim fez, realmente. Tão logo Juno chegou, Eco apoderou-se dela com uma longa conversa, repleta de digressões e subterfúgios. Mas Juno, acostumada as desculpas esfarrapadas do marido, compreendeu logo a intenção da ninfa, que se achava mais esperta do que realmente era:
— Cale a boca! — disse, empurrando-a. — Pensa que me engana com sua conversa mole, sua atrevida?
Eco, assustada e com as mãos da furiosa deusa impressas nos ombros, calou-se. Mas era tarde demais.
— Porque pretendeu me fazer de boba a punirei, fazendo com que nunca mais possa dizer nada a não ser as últimas palavras que escutar — amaldiçoou Juno.
— … as últimas palavras que escutar… —repetiu Eco, em cuja boca o feitiço já começava a atuar.
— Ai está o que ganhou com seu atrevimento — disse Juno, vingada. — Adeus, idiota!
—… adeus, idiota… -repetiu Eco e tapou rapidamente a boca com as duas mãos. A notícia da maldição de Juno espalhou-se ligeiro por entre as ninfas:
— Bem-feito, sua ordinária — disse um dia uma rival a Eco.
— … sua ordinária… — respondeu Eco, que ao menos podia, às vezes, responder à altura os desaforos que escutava.
Assim vagou a ninfa por entre os bosques durante muitos anos, até que um dia, caminhando pelas montanhas, encontrou Narciso, um jovem caçador que havia se extraviado de seus colegas. Eco, ao colocar os olhos sobre a beleza do jovem, tomou-se imediatamente de amores por ele. Seguiu-o por um longo tempo imaginando qual o melhor meio de se aproximar
dele, até que, ao pisar num galho solto, despertou finalmente a atenção do moço.
— O que foi isto? — perguntou o rapaz. — Há por aqui mais alguém?
— … mais alguém… — repetiu Eco.
— Chegue mais perto — disse Narciso, sem ver ninguém.
— … mais perto… — disse Eco e mostrou-se, finalmente, tendo antes o cuidado de ajeitar os cabelos.
Decepcionado por ver que não era nenhum de seus companheiros, Narciso simplesmente perguntou:
— Diga-me, ninfa, como faço para sair daqui?
— … sair daqui — replicou Eco, agoniada, pois a última coisa que desejava era que ele fosse embora.
Não podendo expressar com suas próprias palavras o seu amor, sem que antes o estranho o declarasse para ela, a ninfa desesperou-se e resolveu tomar uma medida drástica. Estendendo os braços, lançou-se para ele num frenético abraço. “Talvez ele entenda os meus sentimentos”,
pensou.
— O que está fazendo? — exclamou Narciso, atirando-a ao solo com um empurrão.— Não quero o seu amor!
— … quero o seu amor… — repetiu a ninfa, vendo Narciso dar-lhe as costas e escapar rapidamente por uma vereda do bosque.
Mas em matéria de amor Eco era um desastre. Consciente de seu fracasso, a pobre ninfa recolheu-se para o interior de uma caverna no bosque. Ali, após enfadar durante longos anos as paredes da gruta com seus lamentos e lágrimas, viu seu corpo, aos poucos, dissolver-se na escuridão da caverna, até passar a fazer parte dela. Da pobre ninfa só restou sua voz cava e
profunda, a repetir sempre as últimas palavras que os passantes pronunciassem.
Narciso prosseguiu com suas caçadas e a tratar com rudeza as ninfas que o perseguiam. O jovem caçador era pretensioso e arrogante, e mulher alguma parecia bastar à sua vaidade.
Inclusive corria uma lenda que dizia que quando Narciso nasceu, um oráculo teria anunciado que ele poderia viver muito tempo, se jamais enxergasse a si próprio. Seu pai, por via das dúvidas, quebrou todos os espelhos da casa. Temendo que o filho procurasse o próprio reflexo em alguma outra parte, adquiriu um espelho mágico, no qual Narciso via sua imagem sempre distorcida.
Mesmo assim, sua beleza era tal que o arrogante rapaz não desgrudava do bendito espelho.
— Como sou lindo… — dizia, sempre que tinha o espelho nas mãos.
Um dia, porém, durante uma caçada mais agitada, o espelho que trazia sempre em seu bolso partiu-se. Juntando os cacos pôde ver apenas, com lágrimas nos olhos, o reflexo estilhaçado da própria beleza.
— Que lindos pedaços! — ainda se admirou, numa vaidade residual e fragmentária.
Abalado e cansado da caça, Narciso meteu-se para dentro das profundezas do bosque, próximo da gruta onde Eco vivia. Ah perto havia um pequeno lago. absolutamente deserto e silencioso. Sobre suas plácidas águas nem um único cisne deslizava. As árvores, nas margens, inclinavam-se para longe do espelho cristalino de suas águas, como que tentando escapar de seu
intenso reflexo.
Narciso, chegando à margem, debruçou-se para tomar alguns goles I límpida água. Ao fazê-lo, percebeu que alguém o observava de dentro da água. Fascinado com a beleza daquele semblante inigualavelmente belo, Narciso teve de admitir que era mais perfeito ainda do que o seu próprio rosto.
— Quem é você, rosto adorável, que me contempla deste jeito? — perguntou à efígie encantadoramente bela, que o mirava apaixonadamente nos olhos.
O rosto lindo, porém, não lhe respondia, nem a esta nem às outras solicitações. Por várias vezes Narciso tentou, sem sucesso, seduzir aquele rosto magnífico. Um dia debruçou-se a ponto de encostar os lábios à liquefeita boca da imagem. Porém, ao fazê-lo, viu o belo estranho turvarse,
o que o encheu de pânico.
— Não, não fuja! — exclamou, assustado, descolando rapidamente os lábios da água, o que fez a imagem retomar, aos poucos, a sua anterior nitidez.
— Por que rejeita meus beijos?
Pela primeira vez Narciso descobria o que era a dor do amor não-correspondido.
Apesar do jovem erguer cada vez mais a voz, Eco, que ouvia tudo, excepcionalmente não lhe repetia as últimas palavras. Vítima da crueldade de Narciso, gozava agora, secretamente, a sua vingança. O único ruído que escapava da caverna era um riso baixinho, que o vento produzia ao
passar pelas fendas das pedras.
O jovem caçador foi perdendo a sua cor. Suas faces murchavam, seu cabelo crescia desmesuradamente — a ponto da franja cair-lhe pelos olhos — e seu nariz, perfeitamente aquilino, apresentava uma coriza continuamente a escorrer. Mas nada disso era o bastante para fazer com que ele deixasse de amar aquele rosto magnificamente belo. Assim foi definhando lentamente o pobre Narciso, às margens do lago. Sem poder consumar o seu amor, acabou se transformando numa bela flor roxa de folhas brancas, sempre debruçada sobre o leito das águas.
Sua sombra infeliz embarcou no mesmo dia na barca de Caronte, atravessando o Estige rumo ao país das trevas. Mas nem o severo barqueiro pôde impedi-lo de, enquanto fazia a travessia, reclinar-se outra vez para mirar-se nas águas do rio infernal.
Category : Humor
O que é preto e marrom e fica bem em um advogado?
R: Um doberman.
Por que minas tem mais advogados e São Paulo mais depósitos de lixo tóxico?
R: São Paulo escolheu primeiro.
Por que os advogados não vão à praia?
R: Para os gatos não enterrarem eles.
O que os advogados usam como controle de natalidade?
R: A personalidade deles.
Um advogado e um engenheiro estão pescando no Caribe. O advogado
comenta:
- Estou aqui porque minha casa foi destruída num incêndio com tudo que estava
dentro. O seguro pagou tudo.
- Que coincidência! – diz o engenheiro. – Minha casa também foi destruída num terremoto e perdi tudo. E o seguro pagou tudo.
O advogado olha intrigado para o engenheiro e pergunta:
- Como você faz para provocar um terremoto?
Um advogado casou com uma mulher que havia sido casada oito vezes. Na
noite de núpcias, no qarto do hotel a noiva disse:
- Por favor meu bem, seja gentil. Ainda sou virgem!!!
Perplexo, sabendo que ela havia sido casada oito vezes, o noivo pediu para que ela se explicasse.
- Ela respondeu:
- Meu primeiro marido era psicólogo. Ele só queria conversa sobre sexo;
- Meu segundo marido era ginecologista. Ele só queira examinar o local;
- Meu terceiro marido era colecionador de selos. Ele só queria lamber;
- Meu quarto marido era gerente de vendas. Ele dizia que sabia que tinha o
produto, mas não sabia como utiliza-lo;
- Meu quinto marido era engenheiro. Ele dizia que compreendia o procedimento básico, mas que precisava de três anos para pesquisar, implementar e criar um método de utilização;
- Meu sexto marido era funcionário público. Ele dizia que compreendia
perfeitamente como era, mas que não tinha certeza se era da competência dele;
- Meu sétimo marido era técnico de informática. Ele dizia que se estava
funcionando, era melhor ele não mexer;
- Meu oitavo marido era analista de suporte. Depois de dar uma olhada, ele disse que as peças estavam todas perfeitas, mas que não sabia porque o sistema não funcionava.
- Por isso agora estou me casando com um advogado.
- Por que eu? – Disse o advogado.
- Porque tenho certeza que você vai me foder
Aluno de Direito ao fazer prova oral:
- O que é uma fraude?
- É o que o senhor professor está fazendo – responde o aluno.
O professor fica indignado:
- Ora essa, explique-se.
Então diz o aluno:
- Segundo o Código Penal, “comete fraude todo aquele que se aproveita da
ignorância do outro para o prejudicar”.
Qual a diferença entre um advogado e um Juiz de Boxe?
R: O juiz não recebe mais por uma luta mias longa.
Quantos advogados são necessários pra trocar uma lâmpada?
R: Quantos você pode pagar?
O advogado, no leito de morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la avidamente.
Todos se surpreendem com a conversão daquele homem e perguntam o motivo.
O advogado doente responde:
- “Estou procurando brechas na lei.”
O instituto Pasteur decidiu que ao invés de usar ratos em pesquisas eles usariam advogados, eles tiveram três razões para decidi-lo:
1. Existem no momento mais advogados que ratos.
2. Os pesquisadores não ficam tão ligados emocionalmente aos advogados do que eles ficavam com os ratos.
3. Não importa o que você tem, tem coisas que nem os ratos fazem.
Sabe qual a diferença entre Juizes de Primeira Instância e os de Segunda?
Os primeiros pensam que são Deus….
Os outros já têm certeza!!!
Como você chama 500 advogados mortos no fundo do Oceano?
R: Um bom começo.
Qual a diferença entre uma cobra e um advogado?
R: Você pode fazer da cobra um bicho de estimação.
Como você sabe que um advogado está mentindo?
R: Os lábios dele estão se mexendo.
Por que cobras não picam advogados?
R: ética Profissional
Dois advogados, sócios de uma consultoria, estão almoçando, quando de repente um deles salta da cadeira e diz:
- Puxa vida, esquecemos de trancar o escritório!
- Não faz mal – responde o outro. – Estamos os dois aqui!
Você está dirigindo em um deserto e vê o fernando Collor de um lado da estrada e do outro um advogado, quam você atropela primeiro?
R: O Collor, primeiro a obrigação, depois o divertimento.
Você está em um quarto com o Collor, PC Farias, um advogado e um 38 com 2 balas, em quem você atira?
R: No advogado, 2 vezes.
O advogado, no leito da morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la
avidamente. Todos se surpreendem com a conversão daquele homem, e uma pessoa pergunta o motivo. O advogado doente responde:
“Estou procurando brechas na lei”.
Certo dia estavam dois homens caminhando por um cemitério quando se
depararam com uma sepultura recente. Na lápide lia-se: “Aqui jaz um homem honesto e advogado competente”. Ao terminar a leitura um virou-se para o outro e disse:
“Desde quando estão enterrando duas pessoas na mesma cova?”
Você sabe como salvar cinco advogados que estão se afogando?
R: Não
- ótimo!
Um homem entra num escritório de advocacia e pergunta sobre os
honorários para consultoria.
- Cinqüenta dólares por três perguntas – responde o advogado.
- Mas não é um pouco caro? – pergunta o homem.
- Realmente é – responde o advogado. Qual é sua segunda pergunta?
Um açougueiro entra no escritório de um advogado e pergunta:
- “Se um cachorro solto na rua entra num açougue e rouba um pedaço de carne, o dono da loja tem direito a reclamar o pagamento do dono do cachorro?”
- “Sim, é claro” — responde o advogado.
” Então você me deve 8 reais. Seu cachorro estava solto e roubou um filé da
minha loja”
Sem reclamar, o advogado preenche um cheque no valor de 8 reais e entrega ao açougueiro.
Alguns dias depois, o açougueiro recebe uma carta do advogado, cobrando 200 reais pela consulta.
Custas processuais é aquilo que o advogado cobra do cliente, além do que foi combinado.
Em uma noite chuvosa, dois carros se chocam em uma estrada. Um pertencia a um advogado, o outro a um médico. Ao sair de seu automóvel, o médico, preocupado, se dirige ao carro do advogado e pergunta se ele está ferido, examina-o brevemente e constata não haver nada de grave.
Só então os dois passam a verificar o estado dos carros e como se deu a batida. Chegam a conclusão de que não havia como escapar do acidente na situação em que tinha acontecido: a estrada estava molhada, escura e mal sinalizada. Como, todavia, o advogado já tinha ligado para a policia rodoviária, resolveram ficar esperando enquanto a viatura não chegava, para avisar aos policiais que cada um ia assumir seus prejuízos.
Conversa vai, conversa vem, o advogado vai ficando íntimo do médico e até lhe oferece uísque. O médico aceita, bebe três goles longos e pergunta:
- “E você, amigo, não vai beber?”
O advogado responde:
- “Só depois que a policia chegar”.
Dois advogados, pai e filho, conversam:
- “Papai! Estou desesperado. Não sei o que fazer. Perdi aquela causa!”
- “Meu filho, não se preocupe. Advogado não perde causa. Quem perde é o cliente!”
O filho, advogado recém-formado, chega todo sorridente para contar a novidade ao pai, advogado titular do escritório:
- “Papai, papai! Em um dia, resolvi aquele processo em que você esteve trabalhando por dez anos!”
O pai aplica um safanão na orelha do filho e berra:
- “Idiota! Esse processo é que nos sustentou nos últimos dez anos!”
P.: Por que a Ordem dos Advogados proíbe relações sexuais entre advogados e seus clientes?
R.: Para evitar que seus clientes sejam cobrados duas vezes por um serviço essencialmente similar.
P.: Por que as piadas de advogado não funcionam?
R.: Porque os advogados não acham graça em nenhuma delas e as outras pessoas não acham que são piadas.
Em outra audiência, o juiz pergunta ao réu:
- “O senhor não trouxe o seu advogado?”
- “Não, meritíssimo! Eu não tenho advogado. Resolvi falar a verdade!”
Qual a diferença entre uma pulga e um advogado?
R: Um é um parasita que suga seu sangue até o fim, e o outro é um inseto.
Dois peões estavam caminhando pela beira de uma estrada poeirenta, voltando de uma das fazendas onde haviam trabalhado duro o dia inteiro, quando o filho de um famoso juiz, que vinha a toda a velocidade na sua picape importada, atropela os dois com toda a violência. Um deles atravessou o para-brisa e caiu dentro do carro, enquanto o outro voou longe. Três meses depois eles saíram do hospital e, para surpresa geral, foram direto para a cadeia. Um por invasão de propriedade alheia e o outro por se evadir do local do acidente.
Boas notícias: Um ônibus cheio de advogados caiu do abismo.
Mas notícias: Tinham três cadeiras vazias.
O que você precisa quando tem cinco advogados enterrados até o pescoço no concreto?
R: Mais concreto.
Qual a diferença entre um advogado e uma cebola?
R: Você chora quando mete a faca na cebola.
Quais são as três perguntas mais feits pelos advogados?
R: 1. Quanto dinheiro você tem?
2. Onde você pode conseguir mais?
3. Você tem alguma coisa que pode vender?
O que você tem quando cruza um advogado com um bibliotecário?
R: Toda informação que você precisa, mas você não vai entender uma palavra do que ele diiser.
Como foi inventado o fio de prata?
R: Dois advogados brigando por uma moeda.
Um advogado e o Collor pulam de um edifício de 100 andares, qual chega primeiro?
R: Quem se importa?
Qual a diferença entre um advogado e um peixe-gato?
R: Um vive nas profundezas se alimentando de lixo e o outro é um peixe.
Qual a diferença entre um advogado e uma sanguessuga?
R: A sanguessuga vai embora quando sua vítima morrer.
O que acontece quando você enterra seis advogados na areia até o pescoço?
R: Falta areia.
A Madame abriu a porta do puteiro e se deparou um homem alto de pele morena.
- No que posso ajudá-lo? – perguntou a Madame.
- Gostaria de ver a Natalie – disse o homem.
- Senhor, Natalie é uma de nossas meninas mais caras… O senhor não quer ver outra de nossas garotas?
- Não, eu quero a Natalie – disse ele.
Minutos depois, apareceu Natalie para explicar ao homem que ela iria cobrar R$1.000,00 pela visita. Sem pestanejar, o homem mete a mão no bolso e tira um maço de dez notas de R$100,00 e entrega à moça. Então, os dois subiram para um dos quartos e depois de uma hora o senhor saiu muito tranqüilo e feliz.
Na noite seguinte, o mesmo senhor apareceu de novo querendo ver Natalie. Natalie então disse que era muito raro para qualquer visita duas noites seguidas e que nem iria pensar em desconto. Novamente o homem enfiou a mão no bolso e tirou outras dez notas de R$100,00 e, na companhia de Natalie, subiu para um dos quart os e depois de uma hora ele se foi.
Quando apareceu pela terceira noite seguida, ninguém podia acreditar.
Novamente entregou R$1.000,00 a Natalie e foram os dois para um dos quartos, para mais uma hora. Quando terminaram, não se contendo de curiosidade, Natalie perguntou para o homem:
- Ninguém nunca requisitou meus serviços por três noites seguidas. De onde você é?
- De Sorocaba – respondeu o homem.
- É sério? – disse ela – Minha família é de lá.
- Eu sei – disse o homem – Seu pai faleceu e sou o advogado de suas irmãs. Elas me pediram que lhe entregasse sua parte da herança, R$3.000,00…
Moral: Há duas coisas no Mundo que não têm pena da gente: a morte e um advogado…
Certa tarde, um bem sucedido advogado estava sendo conduzido em sua limusine para seu sitio, quando observou dois homens maltrapilhos comendograma ao lado da estrada. Ele ordenou imediatamente ao motorista que parasse, saiu do veículo e perguntou:
- Por que vocês estão comendo grama ?
- Porque nós não temos dinheiro para comprar comida, respondeu um dos homens.
- Bem, você pode vir comigo para o sítio disse o advogado.
- Senhor, eu tenho uma esposa e três filhos aqui.
- Traga-os também replicou o advogado.
- E quanto ao meu amigo?!
O advogado virou-se para o outro homem e disse:
- Você pode vir conosco também.
- Mas, senhor eu também tenho esposa e seis filhos, disse o segundo homem.
- Eles podem nos acompanhar também, disse o advogado enquanto se dirigia de volta à limusine. Todos se acomodaram como puderam na limusine, e quando já estavam a caminho, um dos acompanhantes disse:
- O senhor é muito gentil. Obrigado por levar-nos a todos com o senhor.
O advogado respondeu:
- De nada !!! Vocês irão adorar meu sitio. A grama esta com quase um palmo de altura !!!!!
Porque a China tem tanta gente?
é por que eles comem com dois pauzinhos…
Por que a vaca corre atrás do carro?
Para pegar o VACO
Qual é o bicho que anda com as patas?
O pato.
Qual a cor mais barulhenta?
A corneta…
O que é CHEIRO VERDE?
O peido do HULK
O que a minhoca falou pro minhoco?
Você minhoquece!
O que o tijolo falou pro outro?
Há um ciumento entre nós.
Qual a diferença entre a mulher e o leão?
A mulher usa batom e o leao ruge!
O que o fósforo falou para o cigarro?
Por sua causa, perdi a cabeça.
Qual o tipo de alimento que o político mais gosta?
As massas.
O que o pára-quedas disse para o paraquedista?
To contigo e NÃO ABRO!
O que o passarinho falou para a passarinha?
Quer danoninho?
Qual é o fim da picada?
Quando o mosquito vai embora…
Desce duro e sobe mole e pingando ???
Macarrão ! (desce duro para cozinhar e sobe mole pingando de molho…)
O que existe entre a Floresta Amazônica e a fábrica de leite?
O umbigo
O que um escorregador falou pro outro?
Aqui os anos passam depressa.
Category : CURIOSIDADES
Qual é o maior museu do mundo e onde se localiza?
O maior museu do mundo é o Smithsonian Institution, em Washington, nos Estados Unidos. Dele, fazem parte 16 museus e o zoológico nacional. Inaugurado em 1846, possui cerca de 140 milhões de itens.
Qual o nome do acabamento de plástico que fica na ponta dos cadarços?
Segundo informações da equipe de atendimento ao consumidor dos tênis Rainha, da Alpargatas, a pontinha do “cordão atacador” é denominada “ponteira”.
Quem estabelece o número dos bancos?
A distribuição dos números é feita pelo Banco Central, por “ordem de chegada”. De acordo com a assessoria de imprensa do BC, esse critério funciona mais ou menos como a troca de placas de carro. O número do Banco do Brasil, por exemplo, é 1. Já o ABM-Ambro Bank, que comprou o Banco Real, preferiu manter o número da antiga instituição financeira ao invés de adotar um novo. Da mesma forma, os números de bancos liquidados ficam vagos para os outros que vão sendo fundados.
Quem inventou o relógio de pulso?
O inventor do relógio de pulso foi o mesmo do avião: o brasileiro Santos Dumont. O “pai da aviação” pretendia cronometrar o tempo de vôo de seus aviões durante as experiências. Naquele tempo, os relógios ficavam nos bolsos, presos a uma corrente. Como Santos Dumont não podia tirar as mãos do manche para pegar o relógio, encomendou ao joalheiro Cartier um modelo que ficasse fixo no braço e facilitasse o controle das horas.
Como os faraós eram embalsamados?
Em primeiro lugar, cérebro, intestinos e outros órgãos vitais eram retirados. Nessas cavidades, colocavam-se resinas aromáticas e perfumes. Depois, os cortes eram fechados. Mergulhava-se, então, o cadáver num tanque com nitrato de potássio (salitre) para que a umidade do corpo fosse absorvida. Ele permanecia ali por setenta dias. Após esse período, o corpo era lavado e enrolado numa bandagem de algodão, com centenas de metros, embebida em betume, uma substância pastosa. Só aí o morto ia para a tumba. Esse processo conservava o cadáver praticamente intacto por séculos. A múmia do faraó Ramsés II, que reinou no Egito entre 1304 e 1237 a.C., foi encontrada em 1881 apenas com a pele ressecada. Os cabelos e os dentes continuavam perfeitos.
Como foi a relação dos índios com a gripe?
“Desastrosa!”, exclama Marina Lopes de Lima Villas Boas, esposa de Orlando Villas Boas e enfermeira, que trabalhou 20 anos no Parque Nacional do Xingu. Segundo ela, no início da colonização as crises de gripe provocaram muitas mortes entre os índios. Eles não tinham anticorpos contra os vírus recém-chegados da Europa. “No século XX, ainda, houve surtos bastante fortes, principalmente nos anos 20 e na década de 40″, explica Marina.
Em que semana foi realizada a Semana de Arte Moderna de 1922?
A Semana de Arte Moderna de 1922 aconteceu em apenas três dias: 13, 15 e 17 de fevereiro. O primeiro deles tratou de pintura e escultura, o segundo foi dedicado à literatura e à poesia e o terceiro dia ficou para a música. O evento, realizado no Teatro Municipal de São Paulo, foi o grande marco do Modernismo no Brasil.
O corpo de Cleópatra foi enterrado em alguma pirâmide do Egito?
Cleópatra não foi levada às pirâmides porque ela viveu muito depois do período em que os monumentos foram erguidos. As pirâmides foram construídas entre 2.650 a.C. e 1.700 a.C. enquanto Cleópatra viveu no século I a.C. Conforme seu pedido, a rainha do Egito, que se suicidou depois da nação ter sido tomada pelos romanos, foi enterrada ao lado de Marco Antônio, no Mausoléu Real em Sema, em Alexandria.
O que é Wall Street?
É o nome da rua onde está localizado o mercado financeiro em Nova York. Em 1635 construíram um muro na parte sul de Manhattan para proteger a cidade dos índios. O muro foi destruído e a rua construída em seu lugar ganhou o nome de Wall Street (Rua do Muro). Depois de 50 anos, foi tomada por comerciantes e bancos de investimento e logo tornou-se o centro financeiro dos Estados Unidos.
GRAHAM GREENE
(1904-1991 – Inglaterra)
Crítica e a admiração do leitor comum, Graham Greene deixou como legado romances marcantes, como O Poder e a Glória, O Terceiro Homem, Nosso Homem em Havana e tantos outros. Seu humor moderado e inteligente – o wit inglês – perpassa por toda a sua obra, mas é mais visível em livros como Viagens com a Minha Tia e em muitos de seus contos. É o caso de Um Acidente Chocante.
I
Jerome foi chamado ao gabinete do prefeito no intervalo entre a segunda e a terceira aula numa manhã de quinta-feira. Não tinha receio de encrenca, pois era uma sentinela – nome que o proprietário e diretor de uma dispendiosa escola preparatória resolvera dar a garotos estudiosos e dignos de confiança das séries mais atrasadas (de sentinela passava-se a guardião e por fim, antes de se sair, como era de esperar, para Marlborough ou Rugby, cruzado). O prefeito, Mr. Wordsworth, sentado atrás de sua mesa, tinha um ar de perplexidade e apreensão. Ao entrar, Jerome teve a estranha impressão de estar causando certo temor.
- Sente-se, Jerome – disse Mr. Wordsworth. – Vai tudo bem com a trigonometria?
- Vai, sim senhor.
- Recebi um telefonema, Jerome. Da sua tia. Lamento dizer que tenho más notícias para você.
- É?
- Seu pai sofreu um acidente.
- Oh!
Mr. Wordsworth encarou-o com alguma surpresa. – Um acidente grave.
- É mesmo?
Jerome adorava o pai: o verbo é correto. Como o homem recria Deus, Jerome recriou seu pai, transfigurando um irrequieto escritor viúvo num misterioso aventureiro que viajava por lugares remotos: Nice, Beirute, Maiorca, até mesmo as Canárias. Mais ou menos aos oito anos Jerome passara a acreditar que o pai era ou traficante de armas ou agente do Serviço Secreto Britânico. Então veio-lhe à mente a possibilidade de seu pai ter sido ferido numa “saraivada de balas de metralhadora”.
Mr. Wordsworth brincou com a régua sobre a escrivaninha. Parecia sem saber como continuar. Afinal disse:
- Sabia que seu pai estava em Nápoles?
- Sabia, sim senhor.
- Sua tia recebeu comunicação hoje do hospital.
- Oh!
Mr. Wordsworth explicou em desespero: – Foi um acidente de rua.
- Mesmo, senhor? – A Jerome parecia perfeitamente natural que chamassem a isso acidente de rua. A polícia naturalmente atirara primeiro: seu pai não mataria a não ser em último recurso.
- Infelizmente seu pai ficou de fato gravemente ferido.
- Oh!
- Na realidade, Jerome, ele morreu ontem. Sem sentir dores.
- O tiro pegou bem no coração?
- Como? Como disse, Jerome?
- O tiro pegou bem no coração?
- Não houve tiro nenhum, Jerome. Um porco caiu em cima dele. – Uma convulsão inexplicável apoderou-se dos nervos faciais de Mr. Wordsworth; por um momento pareceu que ele ia estourar na gargalhada. Fechou os olhos, compôs a fisionomia e falou depressa como se fosse necessário expelir a história com a maior rapidez possível:
- Seu pai ia andando numa rua de Nápoles quando um porco caiu em cima dele. Um acidente chocante. Ao que tudo indica, nos bairros mais pobres de Nápoles é costume criar porcos nos balcões das janelas. Esse tal estava no quarto andar. Tinha engordado demais. O balcão quebrou-se. O porco caiu em cima de seu pai.
Mr. Wordsworth deixou a escrivaninha e foi para a janela, dando as costas a Jerome. Estremeceu um pouco, emocionado.
II
- Que aconteceu com o porco? – perguntou Jerome.
Isso não era insensibilidade da parte de Jerome, como foi interpretado por Mr. Wordsworth para seus colegas (com quem chegou até a discutir, achando que talvez Jerome ainda não estivesse apto para ser uma sentinela). Jerome estava apenas tentando visualizar a estranha cena e obter todos os pormenores. Tampouco era Jerome um menino
dado a chorar; era um menino que meditava, e nunca lhe acudiu à mente, durante o período da escola preparatória, que as circunstâncias da morte de seu pai eram cômicas – eram ainda parte do mistério da vida. Só mais tarde, no primeiro ano de colégio, ao contar a história a seu melhor amigo, foi que começou a notar a reação que ela provocava nos outros. Naturalmente, depois dessa revelação, ganhou o apelido, um tanto desarrazoado, de Porco.
Infelizmente sua tia não tinha senso de humor. Havia um instantâneo ampliado de seu pai em cima do piano: um homem alto e triste metido num inadequado terno escuro, posando em Capri com um guarda-chuva (para protegê-lo contra insolação), os rochedos de Faraglione ao fundo. Aos dezesseis anos jerome deu-se conta de que o retrato parecia-se mais com o autor de Luz e Sombra e Perambulações nas Baleares do que com um agente do Serviço Secreto. Apesar de tudo, reverenciava a memória do pai –
ainda possuía um álbum cheio de cartões postais (havia muito tempo que tirara os selos para a outra coleção) e era-lhe doloroso ver a tia narrar a desconhecidos a história da morte de seu pai.
- Um acidente chocante – começava ela, e o estranho ou estranha ia tratando de dar à fisionomia uma expressão compatível com o interesse e a comiseração. As reações eram, evidentemente, falsas, mas era terrível para Jerome ver como de repente, no meio da divagante faIa da tia, o interesse se tornava sincero. – Não consigo imaginar como se permitem tais coisas num país civilizado – dizia a tia. – Suponho que temos de considerar civilizada a Itália. Normalmente se está preparado para toda sorte
de coisas no exterior, é claro, e meu irmão era um grande viajante. Sempre levava consigo um filtro. Você sabe, sai muito menos dispendioso do que comprar todas aquelas garrafas de água mineral. Meu irmão dizia sempre que seu filtro pagava o vinho do jantar. Por aí pode-se ver como ele era cuidadoso. Mas quem podia esperar que quando ele estivesse andando pela Via Dottore Manuele Panucci, a caminho do Museu Hidrográfico, um porco lhe cairia na cabeça? – Esse era o momento em que o interesse se tornava sincero.
O pai de Jerome não fora um escritor dos mais eminentes, mas sempre parece chegar o momento, depois da morte de um autor, em que alguém acha que vale a pena mandar uma carta para o Times Literary Supplement anunciando a preparação de uma biografia e pedindo para ver cartas ou documentos ou receber anedotas dos amigos do morto.
A maioria das biografias, é claro, nunca aparece – a gente se pergunta se tudo aquilo não é uma obscura forma de chantagem e se muito autor potencial de biografia ou tese não encontra desse modo o meio de concluir sua educação em Kansas, em Nottingham. Jerome, porém, sendo um perito-contador, vivia longe do mundo literário.
Não percebia que a ameaça era realmente muito pequena; nem que a fase de perigo para uma pessoa obscura como seu pai passara havia muito. Às vezes ensaiava o método de narrar a morte do pai de modo a reduzir o elemento cômico às suas dimensões mais insignificantes. Seria inútil recusar-se a dar informações, pois em tal caso o biógrafo indubitavelmente faria uma visita à tia que marchava para uma idade bastante avançada, sem indícios de debilitação.
Afigurava-se a Jerome que havia dois métodos possíveis: o primeiro conduzia de mansinho ao acidente, de sorte que, no momento em que era escrito, o ouvinte estava tão bem preparado que a morte surgia realmente como um anticlímax. O principal perigo de gargalhada em tal história era sempre a surpresa. Ao ensaiar esse método, Jerome começava de maneira bastante tediosa.
- Conhece Nápoles e aqueles altíssimos edifícios de apartamentos? Certa vez me contaram que o napolitano sempre se sente à vontade em Nova York, exatamente como o sujeito de Turim se sente à vontade em Londres porque o rio corre mais ou menos do mesmo jeito nas duas cidades. Onde era que eu estava? Ah, sim. Nápoles, claro.
Você ficaria surpreendido com as coisas que nos bairros mais pobres o povo põe nas sacadas daqueles arranha-céus… não roupa suja, compreende? mas coisas como animais domésticos, galinhas ou até mesmo porcos. Naturalmente os porcos não têm oportunidade de fazer exercícios e engordam com a maior rapidez. – Imaginava como a essa altura os olhos do ouvinte estariam arregalados. – Não tenho a mínima idéia, e você? do peso a que pode chegar um porco, mas aqueles edifícios velhos precisam todos
de reparos urgentes. Uma sacada no quarto andar cedeu sob o peso de um desses porcos. Atingiu a sacada do terceiro andar na queda e como que ricocheteou na rua.
Meu pai ia passando para o Museu Hidrográfico quando o porco o alcançou. Vindo daquela altura e daquele ângulo, quebrou o pescoço de meu pai. Essa era de fato uma tentativa magistral de tornar enfadonho um assunto intrinsecamente interessante.
O outro método ensaiado por Jerome tinha a virtude da concisão.
- Meu pai foi morto por um porco.
- Foi mesmo? Na índia?
- Não. Na Itália.
- Interessante. Nunca imaginei que na Itália se caçava porco com chuço. Seu pai era fã de pólo?
No devido tempo, nem muito cedo nem muito tarde, exatamente como se em sua condição de perito-contador Jerome tivesse estudado as estatísticas e tirado a média, ficou noivo – noivo de uma moça de vinte e cinco anos, agradável, de rosto juvenil, cujo pai era médico em Pinner. Chamava-se Sally, seu autor favorito era ainda Dornford Yates, e adorava crianças desde que ganhara de presente aos cinco anos uma boneca que movia os olhos e fazia xixi. Como convinha aos amores de um perito-contador, as relações entre os dois eram marcadas mais pelo contentamento que pela excitação: não seriam corretas se atrapalhassem as contas.
Entretanto, um pensamento preocupava Jerome. Agora que dentro de um ano ele mesmo podia vir a ser pai, seu amor pelo morto aumentava; sabia quanta afeição banhava os cartões-postais. Sentia um intenso desejo de proteger a memória do morte e não tinha certeza de que esse seu amor tranqüilo sobreviveria se Sally se mostrasse tão insensível a ponto de rir quando ouvisse a história da morte do pai dele. Inevitavelmente ela iria ouvi-la quando Jerome a levasse a jantar com a tia. Várias vezes ele próprio tentou contar, já que ela, como era natural, estava ansiosa de saber tudo a respeito do noivo.
- Você era bem pequeno quando seu pai morreu?
- Tinha nove anos.
- Coitadinho – disse ela.
- Eu estava na escola. Eles é que me deram a notícia.
- Você sofreu muito?
- Não me recordo.
- Nunca me contou como é que foi.
- Foi muito de repente. Um acidente de rua.
- Você nunca vai dirigir em alta velocidade, vai, Jemmy? – (Ela começara a chamá-lo Jemmy.) Era muito tarde então para tentar o segundo método, o a caçada de porco com chuço.
Iam casar-se sossegadamente num cartório e passar a lua-de-mel em Torquay. Ele evitou levar a noiva à casa da tia até uma semana antes do casamento, mas então chegou a noite de ir lá, e não pôde deixar de perguntar a si mesmo se sua apreensão era mais pela memória do pai ou pela segurança de seu amor.
O momento não tardou a aparecer. – Esse é o pai de Jemmy? – perguntou Sally, pegando no retrato do homem com o guarda-chuva.
- É, sim, querida. Como adivinhou?
- Ele tem os olhos e a testa de Jemmy, não tem?
- Jerome emprestou a você os livros dele?
- Não.
- Eu lhe darei uma coleção como presente de casamento. Ele escrevia com muita ternura sobre suas viagens. Meu favorito é Recantos e Frinchas. Tinha um belo futuro pela frente. Foi isso que tornou aquele acidente ainda mais chocante.
- Verdade?
Como Jerome desejou ardentemente deixar a sala para não ver aquele rosto amado encrespar-se com a vontade irresistível de rir!
- Recebi muitas cartas dos seus leitores depois que o porco caiu em cima dele. – A tia nunca fora tão abrupta antes.
E então ocorreu o milagre. Sally não riu. Sally sentou-se com os olhos esbugalhados de horror enquanto a tia contava a história, e no fim: – Que coisa horrível!
exclamou. – Faz a gente pensar, não é mesmo? Acontecer assim. Despencar lá de cima.
O coração de Jerome cantou de alegria. Era como se ela lhe tivesse aplacado o medo para sempre. No táxi, a caminho de casa, ele beijou-a com mais paixão do que jamais revelara, e ela retribuiu do mesmo jeito. Havia bebês nas pupilas azul-claro da moça, bebês que reviravam os olhos e faziam xixi.
- De hoje a uma semana – disse Jerome, e ela lhe apertou a mão. – Em que está pensando, meu amor?
- Fiquei curiosa de saber – disse Sally – o que aconteceu com o pobre do porco.
- É quase certo ter sido comido no jantar – disse Jerome feliz e beijou novamente a criaturinha adorada.
Category : CONTOS & CRÔNICAS
WITOLD GOMBROWICZ
(1904-1969 – Polônia)
Autor de alguns dos mais importantes romances do século XX; como Ferdiduke e A Pornografia, o polonês Witold Gombrowicz, de origem aristocrática, viveu a maior parte de sua vida anonimamente em Buenos Aires, onde chegou a ser bancário. Foi redescoberto pela intelectualidade européia, principalmente francesa, já no fim da vida, ocasião em que voltou para a Europa. Antes de morrer, foi cogitado para o Prêmio Nobel. É autor de um diário magistral, além de um único livro de contos, Bakakai.
Em fins do século XVIII, um camponês parisiense teve uma criança; a criança por sua vez, teve uma criança, que teve uma criança por sua vez. Depois, houve outra criança… e a última criança, que se tornara campeã mundial, disputava, certo dia, nas quadras do Racing Club de Paris, em ambiente tenso e sob torrentes de aplausos, uma partida de tênis.
No entanto, (oh, que traições horríveis nos reserva a vida!) um certo coronel dos zuavos, que estava sentado na tribuna lateral, tomou-se de inveja pelo jogo assombroso e impecável dos dois campeões. E, subitamente, querendo mostrar sua capacidade aos seis mil espectadores presentes, – e também à amiguinha que o acompanhava – sacou do revólver e deu um tiro na bola, no momento em que ela voava entre as duas raquetas. A bola estourou e caiu. Privados da bola, os campeões continuaram, par algum tempo, a dar raquetadas no ar, mas, exasperados pelo absurdo daquele momento sem sentido, caíram nos braços um do outro. Uma torrente de aplausos sacudiu a assistência.
O caso poderia ter-se resumido nisso, é claro. Mas, circunstância imprevista, o coronel, em sua excitação, não prestou atenção suficiente (oh, como é preciso ser atento!) aos espectadores que estavam sentados na tribuna em frente. Imaginara, não se sabe por que, que o projétil, depois de ter atravessado a bola de tênis, terminaria sua trajetória; mas infelizmente isso não aconteceu… e, prosseguindo adiante, a bala atingiu o pescoço de um espectador. O sangue jorrou da artéria seccionada.
A mulher do ferido quis atirar-se sobre o coronel e arrancar-lhe o revólver, mas, vendo que isso seria impossível, pois estava cercada pela multidão, contentou-se em esbofetear seu vizinho da direita. Isso porque não havia outro meio de expandir sua indignação e porque, segundo uma lógica muito feminina, achava (no mais íntimo recanto de seu subconsciente) que, sendo mulher, podia permitir-se qualquer coisa.
Mas, evidentemente, as coisas não se desenrolaram como ela imaginara. Pois o esbofeteado (ah, como nossos cálculos são incertos, e imprevisíveis nossos destinos!) era nada mais nada menos que um epilético em estado de latência. Com o choque do bofetão, o infeliz jorrou de si mesmo um gêiser. A pobre mulher viu-se entre dois homens, um dos quais cuspia sangue e o outro espuma. A multidão explodiu numa torrente de aplausos.
Foi então que, num acesso de pânico, um senhor que estava sentado ali perto atirou-se em cima da cabeça de uma senhora, sentada mais embaixo. Esta se levantou, tomou impulso e pulou para a quadra, carregando-o nas costas, em doida corrida. A multidão explodiu numa torrente de aplausos. E tudo poderia ter-se resumido nisso. Mas aconteceu ainda (tudo! seria preciso prever tudo, pensar em tudo!) que a alguns passos dali estava sentado um pobre-diabo, um obscuro sonhador aposentado que, havia
anos, a cada vez que assistia a um espetáculo público, ardia de vontade de pular em cima da cabeça das pessoas sentadas mais embaixo, e só a muito custo conseguia controlar-se. Estimulado pelo exemplo, atirou-se sem mais tardar sobre seu vizinho de baixo que (era uma funcionariazinha chegada havia pouco tempo de Tanger) pensou que era assim mesmo, que era moda, e que essa era a maneira certa de comportar-se nos meios elegantes… Assim sendo, atirou-se também para a quadra, atenta a que seus movimentos não a traíssem, denotando alguma timidez.
O setor mais culto do público pôs-se a aplaudir diplomaticamente, para dissimular o escândalo aos olhos dos representantes das embaixadas e delegações estrangeiras.
Mas deu-se um mal-entendido, pois outros espectadores menos cultos tomaram esses aplausos como sinal de aprovação… e cada um pôs-se a cavalgar sua dama. Os estrangeiros demonstravam espanto crescente. Que saída restava, portanto, a gente tão fina, diante de tais circunstâncias? Para dissimular o escândalo, puseram-se também eles a cavalgar suas damas.
E tudo poderia ter-se resumido nisso, quase que certamente. Mas então, um certo Marquês de Philimor, sentado na tribuna de honra ao lado de sua esposa e da família desta, achou-se na obrigação de portar-se como um cavalheiro.
E, vestido num terno claro de verão, surgiu no centro da quadra, pálido porém decidido, perguntando em tom glacial se alguém, e quem era esse alguém, desejava ofender sua mulher, a Marquesa de Philimor. E atirou à multidão um punhado de cartões de visita, nos quais estava gravado: “Philippe de Philimor” (Ah! Como é preciso prestar atenção, como a vida é difícil e perigosa!) Fez-se um silêncio mortal.
Subitamente, pelo menos trinta e seis senhores, montados em mulheres de raça, de finos jarretes, aproximaram-se da Marquesa, a passo, com a intenção de ofendê-la, para poderem sentir-se tão cavalheiros quanto o Marquês, seu esposo. Mas a Marquesa (oh, quão louca é a existência!), apavorada, deu à luz – e ouviu-se, aos pés do Marquês, sob os cascos das mulheres que relinchavam, um vagido de criança!
O Marquês, subitamente apanhado em flagrante criancice, em terrível, completa infantilidade, quando até o presente momento agira de modo muito amadurecido, como um cavalheiro que era, partiu, envergonhado, enquanto os espectadores explodiam numa torrente de aplausos.
















































